domingo, 1 de fevereiro de 2009

História sobre pedras no caminho




Há um buraco que se abriu de repente. Uma ferida.
Dolorida. Mas calada.
E calada de origem, permaneceu por muito tempo. Mais tempo do que parecia o correto.
Quando (não) foi o momento, alguém cavou, cavou, e fez um buraco;
ou melhor: achou o buraco; que estava encoberto de medo.

Medo se espalhou pelo ar, habitou corações, fez mãos e pernas e corpo inteiro tremerem.
Tremerem de amor, com medo dele se esvair.
Tremerem pelo medo de não estar lá quem tanto se esperou, e chegou e rasgou páginas,
e escreveu o começo de uma história que não pode ter uma palavra de FIM como nos livros.
Pode até ter um final feliz, mas para a montagem do próximo capítulo.
Para a reconstrução da casa.
A moradia com que eles tanto sonharam e sonham.

Mas o jardim ainda está verde.
O catavento na entrada gira, os duendes sentados no jardim perto dos cogumelos, observam...
A reconstrução da mansão de sala e quarto, tão sonhada.



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Autores: Paloma Albuquerque e Bruno Façanha.